Monday, February 27, 2006

Para ti ... sobrevivente!

Antes eu escrevia-te com muita frequência, por tudo e por nada, simplesmente para te repetir o que já teria dito anteriormente, depois o tempo vai passando e roubando a inocência, o tempo, a vontade e a imaginação. Agora já não te escrevo, trocamos sms esporadicamente falamos de coisas banais, mas mesmo assim partilhamos a mesma cumplicidade de sempre...
A propósito de um dos meus posts "problemas de expressão", achei que seria a altura indicada para te dizer o quanto és especial para mim, não muito, não pouco, o suficiente para te associar às palavras: confiança, amizade, carinho, lealdade, amor... não te escrevo porque penso em ti, não te escrevo porque acho que já não precisas de ler sobre mim, não te escrevo porque as palavras já não exprimem da mesma forma...
Sabes amiga... adoro-te... não escrevo, porque não quero que, o que de bom existe entre nós fique simplesmente escrito....quero vivê-lo!

Mais um dia...

"Levanto -me de manhã cedo para mais um dia ...bastante cedo por sinal. Realizo a rotina diária pensando sempre como seria bom ficar mais um minutos na cama, o despertador ainda esta a ecoar na minha cabeça, prometo a mim mesma que mais logo irei fazer uma "sestinha", olho para o rosto adormecido do meu príncipe e penso como seria ideal ficar mais uns minutos a contempla-lo... suspiro...
Pego nas chaves do carros e rumo para mais um dia, no caminho o silêncio e o vazio são meus aliados, ouço rádio e sonho mais umas coisas que não tive tempo enquanto dormia, todos os dias penso no mesmo: como seria bom fazer somente aquilo que gosto e não simplesmente obrigar-me a sobrevier, ganhar o pão de cada dia, para viver o dia seguinte...Queria trabalhar num sítio por mim escolhido, olhar o mar quando a nostalgia viesse, abraçar os meus amigos por alegria e por tristezas quando tivesse vontade, acariciar rostos vários, viver com prazer...
Chego ao trabalho, desligo o carro, e caminho lentamente para mais um dia... Viver mais um dia ou sobreviver a ele mesmo?"

Monday, February 20, 2006

Problemas de expressão

Quantas vezes já vos aconteceu, ter uma vontade imensa de dizer algo a alguém, mas que por motivos vários não o fazem? Ou por pressões sociais, ou porque não somos politicamente correctos ou porque nos sentimos retraídos ou porque simplesmente não conseguimos... sejam manifestações carinhosas ou nem por isso, seja um simples amo-te ou um sentido odeio-te. Fica em nós um acumular de emoções que depois são expelidas de diversas formas, mas nem sempre da forma mais adequada, fica depois um sentimento de vazio bastante difícil de preencher.
Por vezes, sinto muita vontade de dizer a algumas pessoas que de mim são próximas, o quanto gosto delas... simplesmente gosto de ti, mas depois, sinto que aquela atitude me custa e nas poucas ocasiões que o faço, sinto que a pessoa ficou intimidada com a minha expressão, não tem uma reacção "normal" não sabe o que responder...
Já reflectiram sobre a quantidade de tempo que ficamos sem dizer a alguém o que sentimos sobre essa pessoa? Se analisarem bem, provavelmente até têm pessoas que gostam bastante mas que nunca tiveram oportunidade de lhe dizer... ou então o inverso, a existência de alguém que simplesmente não suportamos, ou que sentimos que não somos compatíveis, mas que nunca o dissemos... Será um problema de expressão? Talvez não...
Eu sinto muitas vezes vontade de dizer: "sabes...eu gosto muito de ti, gosto da forma como sinto que gostas de mim", mas depois deixo-me ficar pelos pensamentos e como receio de nunca dizer a essas pessoa o quanto gosto delas...

Tuesday, February 14, 2006

Preparar um sonho...


*Preparo-me para iniciar um novo ciclo da minha vida, a concretização de um sonho. Eu e o meu príncipe encantado encontrámos o "castelo" de todas as promessas... como algum receio e muita ansiedade, sonho acordada diariamente, na expectativa de como será esta nova etapa das nossas vidas, pode não ser a melhor casa do mundo mas será certamente o nosso "mundo". Preparamo-nos para acordar lado a lado e presenciar alegrias e tristezas... Casas comigo meu príncipe?*

Sabias que te amo?...

Por tudo o que significas para mim, pelo tua carinho pela tua amizade pelo teu companheirismo, pelos teus beijos, pelas tuas carícias... a forma como me amas...faz-me amar-te cada vez mais e mais.
Feliz dia do amor...Meu Amor!

Monday, February 06, 2006

Celebrar o Amor...

Aproxima-se um dia especial, DIA DOS NAMORADOS... para muitos, um dia apenas comercial, mas sinceramente para mim não... Apesar das criticas generalizadas a este tipo de dias, que surgem com intuito de celebrar algo (onde obviamente o comércio se aproveita), eu considero que é um dia especial... não na medida da troca de presentes (apesar de saber bem... não vamos ser hipócritas) mas sim, tendo em consideração a sua simbologia... e o que no fundo nos propomos a comemorar... o Amor! Obviamente que podem refutar: "mas o amor deve ser comemorado todos os dia...", sim é verdade, mas também é válido que tudo tem o seu dia especial e um dia que é dedicado ao Amor...é realmente muito bonito...Sim eu amo todos os dias, mas fico muito contente por celebrar um dia dedicado ao amor... vocês não?

Friday, February 03, 2006

Vítimas e culpados...

Desde sempre, tive uma relação muito peculiar com a minha balança, o peso desejado nunca seria o atingido, ainda hoje a relação é dramática. Tento realmente que este assunto não seja predominante no meu dia-a-dia, mas de alguma forma é difícil. Muitas vezes me questiono se o factor peso (ou outro qualquer "componente" estético) nos incómoda a nós ou aos outros? Será que vivemos pela busca incessante da aprovação dos outros? Por vezes eu acho que sim... outras nem tanto, mas de uma forma geral considero que a sociedade exerce muita influência e muita pressão sobre nós... mas o interessante e curioso é que relativamente a esta situação, todos nós somos vitimas e culpados.
...
mais um dos meus casos...
Conhecia E. logo no primeiro dia de internamento, entrou de madrugada nas urgências após um violento acidente de trabalho, estava muito ansiosa e acima de tudo muito assustada, E. teria ficado com uma mão presa numa das máquinas que diariamente trabalhava, foi submetida a uma intervenção cirúrgica com viabilidade duvidosa e a hipótese de amputação da mão estava praticamente confirmada desde o momento da sua entrada. Idade abaixo dos trinta com dois filhos ainda pequenos, repetida constantemente que nunca mais iria sair de casa, nunca mais seria "ninguém" na vida, iria ficar inútil para todo o resto da vida. Acompanhei E. durante dois meses, em internamento e em consultas de follow-up, depois de muito trabalho terapêutico onde o principal objectivo seria ajudar a paciente a adaptar-se o melhor possível à sua situação clínica eis que ela me confessa: "Sabe porque é que eu não consigo encarar esta situação e não consigo andar na rua sem esconder que não tenho uma mão? Porque antigamente, quando eu era "normal" sempre que eu via alguém assim "defeituoso" eu tinha imensa pena e pensava como aquela pessoa devia de ser infeliz... e eu sei que é assim que os outros olham para mim e não o consigo suportar"
No fundo o que eu gostaria de perceber é... até que ponto cada um de nós contribuí para o seu próprio mal-estar..

"Menina Doutora"

Tal como prometi, vou partilhar com todos, alguns episódios da minha, ainda pequena, experiência, como psicóloga...Todos nós temos uma primeira vez em tudo e independentemente do resultado da mesma, esta experiência irá acompanhar-nos para sempre, sendo assim vou começar por partilhar o meu primeiro paciente que se revelou alguém muito especial...O Sr. F. mantinha os seus 78 anos, bem vividos por sinal, de uma forma muito peculiar, escolheu não compartilhar a sua vida com ninguém, porque assim teria mais tempo para desfrutar da sua experiência, sozinho, proprietário de muitos bens, tendo como família apenas uma sobrinha que via de tempos a tempos... Bem parecido e cuidado, mantinha-se na enfermaria sem grande contacto social, mantendo uma postura um pouco arrogante a todos aqueles que se aproximavam.Apresentei-me e expôs a mina função e desejei que aquele momento fosse um início de uma boa relação terapêutica, relutante, manifestou o seu desinteresse pela minha visita, mesmo assim não desisti. Dia sim, dia não, visitava o Sr. F., fazia algumas questões de rotina alguns procedimentos terapêuticos e começava a sentir-me incomodada com aquela indiferença... eu não estava a conseguir conquista-lo e para primeiro paciente não estava a correr como desejaria. Um dia, mais um dos dias... quando cheguei à enfermaria o Sr. F. estava a dormir, não incomodei e permaneci junto à cama, sentei-me, organizei uns documentos e esperei que acordasse... enquanto olhava pela janela, organizando mentalmente a sessão do dia (a inexperiência assim o obrigaria...), quando de repente ouço: "sabe...eu tenho muitas saudades da minha casa, do meu pomar, das minhas coisas...", não ganhei para ao susto, afinal ele comunicava... e foi ai que iniciamos uma verdadeira relação terapêutica, durante alguns dias falamos de tudo um pouco e percebi que no fundo aquele homem tinha uma solidão imensa, mas um solidão consentida e por vontade própria, mas que lhe deixava muita vontade de partilhar tudo o que tinha e tudo o que sentia e... esse era o maior problema dele. Pouco a pouco recuperou do motivo pelo qual permanecia internado e pouco a pouco eu me sentia mais ligada emocionalmente a este Sr., ele tinha tanto para partilhar que o tempo era sempre pouco, colaborava com todo o processo terapêutica e cumpria tudo o que lhe era por mim pedido... foi um bom progresso. Até que chega o esperado dia da alta... ambos estávamos ansiosos, mas por motivos diferentes, o Sr. F., ia regressar ao seu meio, como tanto desejava e eu ia perder o meu primeiro paciente... egoísmo o meu. Não tivemos a oportunidade de nos despedirmos, quando cheguei, já tinha partido... não chorei, mas tive vontade... e o Sr, F. deixou um recado: "Sr.ª enfermeira peça à "menina doutora Tânia", para me ir visitar lá ao meu sítio... porque eu acho que vou precisar sempre de uma psicóloga", eu sorri e pensei: terei eu cumprido a minha função como psicóloga?

Amizade... tenho saudades tuas!

A amizade revela-se, ao longo dos tempos, "um pequeno caderno onde algumas folhas de rascunho se vão perdendo"... Falar de amizade torna-se de alguma forma doloroso na medida em que nos obrigamos a recordar (com saudade...) momentos bem vividos que muito provavelmente não se irão repetir.
Tal como a própria vida, no decorrer de várias primaveras, olhamos para trás e verificamos que já tivemos muito mais "tudo" do que propriamente agora, senão vejamos: quando somos crianças, todos são amigos, em adolescentes encontramos os melhores amigos e começamos a diferenciar os conhecidos dos amigos, sonhamos que os melhores irão permanecer para todo o sempre e jamais nos vão desiludir... então chega a idade adulta (não somos velhos, mas também não somos novos...) e as próprias amizades vão-se desvanecendo com a idade, já não são todos amigos, os melhores amigos já não são tantos como pareciam e surge então a grande questão: quem são os amigos, como os sentimos e porque não os conseguimos manter como fazíamos na infância e na adolescência? Surge então uma nostalgia...
Tenho saudades de partilhar sorrisos e sonhos, de sussurrar por motivos aparentemente não importantes, saudades, muitas saudades... Não invalido, obviamente, as actuais amizades, mas faz-me falta aquela amizade com "cheirinho" de amor... as amizades adultas, são curtas no relacionamento e na partilha, encontramo-nos socialmente e falamos sobre coisas supostamente interessantes, esforçamo-nos... Amizade tenho saudades "tuas"!

Tuesday, January 31, 2006

Um pouco de mim...

Nunca é fácil falarmos sobre nós próprios, geralmente as melhores qualidades e piores defeitos são dificeis de admitir, fica apenas então o que é subtil, nem muito, nem pouco, tentamos dizer o suficiente...
Pois bem, não nasci princesa mas sempre sonhei como tal... uma infância feliz, uma adolescência bem vivida, o príncipe não veio num cavalo branco, mas chegou, para tornar a minha vida num conto de fadas! Mas claro nem tudo tem um final final feliz (ou pelo menos um desenvolvimento...), a vida por vezes mostra alguns dissabores, por vezes pertinentes outras vezes nem tanto, mas de uma forma geral, digamos que fui abençoada por uma "estrelinha"...
Formei-me com um objectivo: ajudar os outros e ao mesmo tempo sentir-me realizada enquanto pessoa, enquanto mulher. O objectivo realmente foi atingido, no entanto a profissão escolhida não permitiu garantir um futuro estável, com emprego garantido... pois bem, a escolha de Psicologia, apesar de muito interessante e parecer "muito bem" aos olhos de muitos, revelou-se uma profissão um tanto frustrante na medida em que é necessário um grande investimento tanto a nível de formação como a nível emocional e no fim temos a informação que o país não está preparado para a nossa inserção no mercado... triste e desmotivante! Escolhi a vertente Psicologia da Saúde pelo fascínio da relação entre a Medicina e a Psicologia...efectuei alguns estágios que permitiram fomentar ainda mais este fascínio, ao longo deste blog irei tentar partilhar algumas das minhas experiências como Psicóloga, de forma a dar-vos um feedback desta profissão e da forma como é vivida...
Pouco mais tenho a dizer sobre mim ou então poucas formas, através de palavras, que me permitam expor algo mais...no entanto, ao longo do blog, vou deixando um pouco mais de mim!

Sou apologista da terapia e encontrei em formato "blog" a melhor forma para aliviar tensões, partilhar alegrias ou simplesmente ... desabafar! Desta forma, vou iniciar um pequeno diário, acessivel a todos aqueles que estão interessados a conhecer as "pequenas estrelas" que passam pela minha vida ...bem vindos!!!